quinta-feira, 14 de julho de 2011

‘E viva a liberdade de expressão’

imagem da internet
Por: Anny Ramos Viana

O mundo, de fato, está acabando! Apesar de ser uma otimista nata e sempre acreditar que as coisas tendem a melhorar, não suporto mais tanta imoralidade e decidi compartilhar.
Ao ler o jornal na manhã de 16 de junho, tomei conhecimento de que o Supremo Tribunal Federal “liberou” a marcha da maconha. E digo “liberou”, entre aspas, por entender que um dos poucos Órgãos deste país com credibilidade e seriedade se posicionou desta forma diante de tão absurdo requerimento, vindo, pasmem, da Procuradoria Geral da República.
Nove ministros de ilibada conduta e notável saber jurídico, utilizaram a Constituição da República de maneira um tanto quanto negligente ao entender que tais manifestações não passam de “liberdade de expressão”, sem considerar ser “apologia ao crime”.
Ouso discordar da visão dos Respeitáveis Ministros, utilizando argumentos jurídicos e, sobretudo, ARGUMENTOS MORAIS.
Brasil! Eis o país das contradições: O mesmo governo que criou o Sistema Nacional de Políticas Públicas Sobre Drogas instituído na Lei n.º 11.343/2006; o mesmo governo que diz “contribuir para a inclusão social do cidadão, visando a torná-lo menos vulnerável a assumir comportamentos de risco para o uso indevido de drogas, seu tráfico ilícito e outros comportamentos correlacionados”; o mesmo governo que tem como objetivo o reconhecimento do “não-uso”, do “retardamento do uso” e da redução de riscos como resultados desejáveis em relação as drogas; o mesmo governo que estabeleceu o montante de R$ 1.382.976,00 (um milhão trezentos e oitenta e dois mil, novecentos e setenta e seis reais) como recurso anual  a serem destinados a serviços hospitalares de referências para atenção integral aos usuários de crack e outras drogas; O mesmo governo que prevê ser CRIME adquirir, guardar, ter em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar é o mesmo governo que em 2011 requer e CONSEGUE a liberação da marcha da maconha.
Não bastassem tantas dissonâncias, vem-me à mente algo pior: Será que nossas crianças estão tendo tanta educação nas escolas que são capazes de distinguir liberdade de expressão da liberação das drogas?
Apesar de ter lido muito, reservo-me ao direito de não mencionar, tecnicamente, as conseqüências do uso da maconha por entender que é ponto pacífico os malefícios causados.
Para se ter noção, de cada dez viciados em crack, 9 começaram com maconha. Basta essa informação para ser completamente contra.
E aos favoráveis às manifestações e ao uso, não são aceitáveis argumentos de que em outros países a droga é liberada, porque o Brasil ainda não tem condições de regulamentar o uso como os países de primeiro mundo. Não argumentem também com a finalidade terapêutica e medicinal da substância, pois cientificamente, NADA foi comprovado. E por fim e por ser mais recorrente, não venham dizer que o cigarro e o álcool são tão maléficos quanto a maconha, pois a resposta vai ser: façam manifestações para proibir o cigarro e o álcool!
Enfim, ver duas mil pessoas em São Paulo no dia 19 de junho com bandeiras, cartazes e faixas apoiando o uso da maconha me fez muito mal. Talvez eles não tenham consciência de todo mal que essa droga pode provocar, talvez eles não tenham filhos, talvez eles nunca tenham tido ninguém viciado na família, talvez eles não saibam o que acontece nos morros e favelas, talvez eles não saibam quantas crianças morrem vítimas do tráfico, talvez eles  nunca foram a uma casa de recuperação, talvez eles nunca tenham ouvido falar dos furtos, roubos e homicídios causados com a finalidade de comprar a droga, talvez eles não vejam telejornais…Nem eles, nem os Ministros do STF e nem os membros da Procuradoria Geral da República…
Entre as drogas que alteram o pensamento, a melhor é a verdade.
(Lily Tolim)

2 comentários:

  1. Não é claro para mim os males que a cannabis sativa pode provocar. Na verdade eu sei os males que um política proibicionista pode provocar. Eu gostaria até de conversar com a senhora sobre isso, porque a proibição do uso da maconha é infundamentada cientificamente ela foi proibida por questões étnicas e políticas. A principal substância presente na maconha o tetrahidrocannabinol (THC) se mostra incapaz de provocar dependência isso de acordo com várias pesquisas, como também para alguém ter uma overdose com o uso precisa de se utilizar uma quantidade absurda, impossível a qualquer ser humano. Quanto a levar a drogas mais pesadas como o crack isso não se justifica pois a maconha foi testada justamente no tratamento de dependentes destas drogas, muitos daqueles que começaram a fumar maconha neste tratamento deixaram o uso do crack. Você pode se perguntar quem sou eu para dizer qualquer coisa do assunto, sou estudante universitário de uma das mais conceituadas universidades públicas desse país, num ambiente em que são discutidos vários assuntos de relevância social, são somente com estudantes, mas com especialistas. Se algum dia quiser conversar sobre o assunto estou a disposição, um debate saudável sempre é bem-vindo...

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  2. O que merece atenção especial não é a dependência física, mas a psíquica que o uso da substância pode causar. Digo isso a respeito, principalmente, sobre pessoas que até agora nunca usaram nenhuma substância dessa natureza. No caso da substituição de drogas mais pesadas pela maconha afim de minimizar danos, buscando resgatar a vida de indivíduos já viciados a inserção da maconha pode ser muito válida sim. Contudo, inseri o texto de Anne para ouvir opiniões diversas. Isso, com certeza, é muito válido.

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