quinta-feira, 21 de julho de 2011

Somando forças contra o Bullying

 
 
Em Itaperuna/RJ, as autoridades locais tem se mobilizado na luta contra o Bullying. Recentemente, a Câmara Municipal aprovou o projeto de lei de autoria do vereador Emanuel Medeiros da Silva (Nel), que cria o Departamento Anti Bullying/Cyberbulling no município.

Com o intuito de somar forças no combate ao Bullying, o vereador Nel se reuniu com o secretário Municipal de Educação José Luiz “Borracha”, para elaborar metas e ver a possibilidade de iniciar alguns trabalhos, já neste ano. O departamento será coordenado pela Secretaria Municipal de Educação, que fica responsável pela criação de uma equipe de trabalho multidisciplinar, além de coordenar as ações educacionais, preventivas e informativas sobre o Bullying e o Cyberbulling entre alunos, professores e responsáveis.

Segundo o secretário de Educação, algumas questões já estão sendo observadas. “A gente tem uma equipe multidisciplinar que cuida dessas questões, inclusive algumas parcerias que serão muito importante, como o Conselho Tutelar, Ministério Público e o PROERD [Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência]”, diz. “Borracha” aposta nessas parcerias e em outras (que estão sendo analisadas), para iniciar uma série de palestras nas escolas e comunidades.

Como a lei só foi aprovada agora e não há tempo suficiente para que solicite recursos orçamentários para este ano, o vereador Nel está contando com o apoio imediato da Secretaria de Educação. “Nós sabemos que é difícil trabalhar sem recursos. Por enquanto, vamos trabalhar dentro das nossas possibilidades. Já demos o primeiro passo com a criação da lei e contamos com a sensibilidade do secretário, que conhece muito bem a área de Educação, para nos ajudar com o departamento”.

Dentre os objetivos e funções do departamento é possível destacar a capacitação da equipe de trabalho, bem como o incentivo à criação de núcleos referente ao assunto dentro de cada unidade escolar; prevenção e combate à prática nas escolas e no entorno; debates sobre as questões éticas e legais envolvidas; orientação de pais e responsáveis sobre como proceder diante desta prática; promoção de campanhas, realização de palestras educacionais e de conscientização.


Consultoria em Comunicação – Assessoria de Imprensa – Marketing Digital

terça-feira, 19 de julho de 2011

Um bom motivo?

Considero interessante quando algumas pessoas me perguntam por que estudar psicologia ou por que pensar que a psicologia pode ser útil para a vida de alguém. Sinceramente, nunca pensei ser necessário ter bons motivos para considerar a importância da psicologia em minha vida. Afinal, se sou um indivíduo que nasci e fui cuidada por alguém e, consequentemente, fui inserida numa comunidade aí certamente terei alguns conflitos, pois não conseguirei viver em total harmonia com eles o tempo todo, já que, por mais influencia que tenha deles, sou uma pessoa única.
Se por alguns momentos na vida tenho a sensação de que ninguém nunca sentiu esse sofrimento que estou sentindo agora e me sinto sozinha, com medo e vergonha de falar sobre isso, não preciso de um bom motivo para saber da importância que a psicologia pode ter em minha vida.
Se trabalho em um lugar onde a convivência é difícil e conflituosa e, por vezes, parece que estão todos contra mim e isso me deixa muito desmotivada sentindo que meu local de trabalho é o pior do mundo e os momentos que passo lá são os mais sacrificantes da minha vida, não preciso de um bom motivo para perceber a importância do trabalho que a psicologia poderá desenvolver em minha empresa.
Se chegar em casa no fim do dia não é um dos momentos mais esperados por mim e senão consigo me sentir relaxada e acolhida com meus familiares e se parece que a porta significa a entrada para uma caixa escura e imprensada, que me tira o fôlego e me causa taquicardia, não preciso de um bom motivo para reconhecer que a psicologia poderá ser importantíssima em minha relação com meus familiares.
Se meu casamento vai mal e a relação conjugal já se transformou para um de nós dois um verdadeiro martírio; se meus filhos e eu parecemos irmãos ou simplesmente colegas de escola e vejo que não há respeito, amor ou admiração quando seus olhos se encontram com os meus, não preciso de um bom motivo para crer no quanto a psicologia poderá nos ajudar a construir ou reconstruir vínculos de amor.
Se não consigo manter amizades, pois acabo sempre querendo que meus amigos sejam exatamente como eu, ou, me coloco sempre num nível de submissão tão grande que eles não suportam dependência tão extrema, não preciso de um bom motivo para saber que a psicologia poderá me ajudar a visualizar novos caminhos.
Se adquiro alguns problemas aparentemente fisiológicos, mas não consigo diagnóstico em exames clínicos e as respostas médicas se tornam: “já fizemos o foi possível, examinamos tudo, te médicos. Você não tem nada”, e dói, dói e continua doendo não preciso de um bom motivo para crer que meu emocional não está suportando tanto pressão e está gritado por meio de meu corpo por socorro.
Se percebo o quanto hoje a vida está corrida e, por vezes, nem mesmo quem está mais próximo de nós tem tempo para nos escutar. Se a sensação que se tem é de que ninguém suporta ou mesmo não se importa com nosso sofrimento ao dizerem sempre que esse papo de sofrer e estar triste é frescura e se carregar sozinho o fardo diário está bem difícil e angustiante, definitivamente não preciso de um bom motivos para me convencer da importância da psicologia na vida do ser HUMANO.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

‘E viva a liberdade de expressão’

imagem da internet
Por: Anny Ramos Viana

O mundo, de fato, está acabando! Apesar de ser uma otimista nata e sempre acreditar que as coisas tendem a melhorar, não suporto mais tanta imoralidade e decidi compartilhar.
Ao ler o jornal na manhã de 16 de junho, tomei conhecimento de que o Supremo Tribunal Federal “liberou” a marcha da maconha. E digo “liberou”, entre aspas, por entender que um dos poucos Órgãos deste país com credibilidade e seriedade se posicionou desta forma diante de tão absurdo requerimento, vindo, pasmem, da Procuradoria Geral da República.
Nove ministros de ilibada conduta e notável saber jurídico, utilizaram a Constituição da República de maneira um tanto quanto negligente ao entender que tais manifestações não passam de “liberdade de expressão”, sem considerar ser “apologia ao crime”.
Ouso discordar da visão dos Respeitáveis Ministros, utilizando argumentos jurídicos e, sobretudo, ARGUMENTOS MORAIS.
Brasil! Eis o país das contradições: O mesmo governo que criou o Sistema Nacional de Políticas Públicas Sobre Drogas instituído na Lei n.º 11.343/2006; o mesmo governo que diz “contribuir para a inclusão social do cidadão, visando a torná-lo menos vulnerável a assumir comportamentos de risco para o uso indevido de drogas, seu tráfico ilícito e outros comportamentos correlacionados”; o mesmo governo que tem como objetivo o reconhecimento do “não-uso”, do “retardamento do uso” e da redução de riscos como resultados desejáveis em relação as drogas; o mesmo governo que estabeleceu o montante de R$ 1.382.976,00 (um milhão trezentos e oitenta e dois mil, novecentos e setenta e seis reais) como recurso anual  a serem destinados a serviços hospitalares de referências para atenção integral aos usuários de crack e outras drogas; O mesmo governo que prevê ser CRIME adquirir, guardar, ter em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar é o mesmo governo que em 2011 requer e CONSEGUE a liberação da marcha da maconha.
Não bastassem tantas dissonâncias, vem-me à mente algo pior: Será que nossas crianças estão tendo tanta educação nas escolas que são capazes de distinguir liberdade de expressão da liberação das drogas?
Apesar de ter lido muito, reservo-me ao direito de não mencionar, tecnicamente, as conseqüências do uso da maconha por entender que é ponto pacífico os malefícios causados.
Para se ter noção, de cada dez viciados em crack, 9 começaram com maconha. Basta essa informação para ser completamente contra.
E aos favoráveis às manifestações e ao uso, não são aceitáveis argumentos de que em outros países a droga é liberada, porque o Brasil ainda não tem condições de regulamentar o uso como os países de primeiro mundo. Não argumentem também com a finalidade terapêutica e medicinal da substância, pois cientificamente, NADA foi comprovado. E por fim e por ser mais recorrente, não venham dizer que o cigarro e o álcool são tão maléficos quanto a maconha, pois a resposta vai ser: façam manifestações para proibir o cigarro e o álcool!
Enfim, ver duas mil pessoas em São Paulo no dia 19 de junho com bandeiras, cartazes e faixas apoiando o uso da maconha me fez muito mal. Talvez eles não tenham consciência de todo mal que essa droga pode provocar, talvez eles não tenham filhos, talvez eles nunca tenham tido ninguém viciado na família, talvez eles não saibam o que acontece nos morros e favelas, talvez eles não saibam quantas crianças morrem vítimas do tráfico, talvez eles  nunca foram a uma casa de recuperação, talvez eles nunca tenham ouvido falar dos furtos, roubos e homicídios causados com a finalidade de comprar a droga, talvez eles não vejam telejornais…Nem eles, nem os Ministros do STF e nem os membros da Procuradoria Geral da República…
Entre as drogas que alteram o pensamento, a melhor é a verdade.
(Lily Tolim)

domingo, 17 de abril de 2011

Sobre o surgimento da arteterapia

Inicialmente, no campo da psiquiatria, a expressão por meio da arte foi observada e usada para classificar as patologias dos doentes mentais de acordo com suas produções artísticas. Por parte da criminologia também houve o interesse de classificar doenças mentais por meio dessas criações. Percebeu-se que surgiam “manifestações de histórias de vida e conflitos pessoais” nos trabalhos realizados.
Freud estudou manifestações artísticas e seus criadores sob a luz da teoria psicanalítica. Ele defende que o inconsciente se manifesta por meio de imagens e que elas escapam da censura da mente com mais facilidade que as palavras. Para ele a “criação artística é produto de uma função psíquica chamada sublimação”, que transforma a libido em impulso criador por meio  da canalização de parte da energia psíquica primária.  Pôde-se pensar na arte como atividade terapêutica e diagnóstica.
Jung utiliza a arte como parte do tratamento trazendo os conceitos de produção do inconsciente individual e inconsciente coletivo, que é aquele que o indivíduo traz da cultura humana e suas civilizações. Dizia que “a criatividade é uma função psíquica, daí a arte não ser apenas fruto de sublimação de instintos sexuais e agressivos. É função natural da mente humana e tem função estruturante do pensamento”. Acreditava também que a arte poderia ser componente de cura, inclusive de facilitação da interação verbal com o paciente.

“Comunicar-se por formas alternativas torna-se o veículo possível onde a palavra fracassa, pois o indivíduo não pode transmitir sua organização incomum de captação da realidade interior-exterior” (Andrade,2000).

sábado, 16 de abril de 2011

Falando sobre arteterapia

Reprodução da Internet

A arteterapia é um processo terapêutico que utiliza técnicas expressivas que trazem símbolos que representam níveis profundos e inconscientes da psique. Pode-se confrontar o consciente com essas informações advindas do inconsciente, propiciando insights e expansão da estrutura psíquica.

Precisa-se utilizar sensorialidade e materialidade e isso exige muito preparo. Utiliza-se cores, texturas, sons, ambiente específico, consciência corporal, entre outros. É válido destacar que as atividades iniciais devem propiciar uma sensação prazerosa, lúdica, que não exija altos desempenhos, com bastante flexibilidade operacional.

“Um processo arteterapêutico constitui-se em delicada construção artesanal que resgata, ativa e expande possibilidades criativas singulares”. (Angela Philippini)

Durante o processo terapêutico surgem símbolos que informam sobre os estágios da jornada da individuação do indivíduo, que “integrará seus talentos às suas feridas e faltas psíquicas”. Esse processo é predominante não verbal. A palavra será bem vinda quando for possível codificar o material subjetivo.

O fazer terapêutico em arteterapia, portanto, acontece quando há expressão, configuração e materialização dos conflitos e afetos. Assim, pode-se estruturar a personalidade e favorecer a comunicação, interação e o “estar-no-mundo”.

 “A criatividade com suas inúmeras faces, é a matéria prima do trabalho em arteterapia”. (Angela Filippini)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vista Cansada

Reprodução da Internet

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O problema é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.